domingo, 26 de julho de 2009

Sobre papéis e interpretações

Todos interpretamos muitos papéis, de forma voluntária ou não. As tais máscaras características do pós-modernismo de Bauman. A maneira como nos portamos muda de acordo com o ambiente, situações e pessoam com quem nos encontramos.

Como todo bom internacionalista, me considero um cosmopolita. Estrangeiros me fascinam. Afastar-se de nossos locais de origem e portos seguros teoricamente nos libera de algumas inibições e nos permitiria agir de forma mais livre e original. Mas isso nem sempre acontece. Acredito ser quase impossível se esquecer de todas nossas amarras psicológicas e sociais. É verdade que alguns são melhores atores que outros, e possuem grande habilidade interpretativa e facilidade em pular entre personagens. No entanto, é difícil compreender os motivos que nos levam a assumir papéis tão distintos e contraditórios entre si, além de desconfortáveis.

É por isso que nossas escolhas são a coisa mais importante para evidenciar quem somos. Elas nos dizem mais sobre nós mesmos do que as equivocadas ideias autoconstruídas de nosso caráter.

Joguinhos podem ser divirtidos por algum tempo, mas perdem a graça a partir do momento em que nos afastam de algo ou alguém de quem gostamos. Sinais dúbios permitem múltiplas interpretações. Personagens e pessoas são multifacetados e complexos. Um período forçado de cool down pode ser bom para refletir e evitar que mergulhemos ainda mais em mares anedóticos. Porém, trazem como efeito colateral a fragilidade emocional.

Enganar-se, ou melhor, mentir para nós mesmos é algo que todos fazemos. Quase sempre com resultados subótimos. Por que então temos tanta dificuldade em abandonar esse hábito?

domingo, 12 de julho de 2009

Aqueles-que-não-devem-ser-nomeados

Esta semana descobri uma nova categoria de pessoas: aquelas que não devem ser nomeadas. Elas se caracterizam por aparecerem num curto espaço de tempo após termos pronunciado seu nome, quase como a Dona Álvara, do Toma lá, dá cá. A materialização pode se dar de muitas formas: telefone, email, encontros casuais, mensagem de texto... No meu caso foram através de telefonemas. 34 minutos de duração, apenas o último deles. Não preciso dizer que ando mais cuidadoso ao filtrar minhas chamadas desde então.

O nome da categoria é autoexplicativo. Tratam-se daqueles elementos que não desejamos encontrar, não por serem más pessoas ou terem um astral ruim, apenas por serem chatinhos. Os verdadeiramente do mal, os Voldemort, são da mesma família, mas de gênero distinto, e estão alguns degraus acima ou elevados a alguma potência. São mais raros, é verdade, mas existem. Chefes e professores, em geral.

É preciso diferenciar as não mencionáveis das fênix. Estas nada mais são do que aquelas que reaparecem após um longo período de hibernação. Algumas vezes a experiência é agradável, outras nem tanto, mas sempre somos pegos de surpresa.

Também existem os encostos, que se subdividem em duas classes: 1) os que insistem voluntariamente em nos ‘mosquear’; 2) e os involuntários. Normalmente aqueles com quem tivemos algum envolvimento amoroso mal resolvido. Infelizmente, muito populares.

Os stalkers, outrossim, merecem menção. Não conheço nenhum caso na vida real, se bem que algumas estórias chegam perto. Rose, de Two and a Half Men, é minha preferida, sobretudo os episódios via Londres.

Muitas categorias e subdivisões já existem, e novas são constantemente criadas para acomodar comportamento tão comum. Enfim, todos temos nossos momentos em ambos os lados. Hoje é dia da graça. Hoje é dia da caça e do caçador.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Opening Credits

Tenho fixação por opening credits. Como pouco segundos podem ter tanto impacto sobre nós? Alguns são simplesmente geniais e decisivos para nossa escolha de assistir ou não determinados programas ou filmes. E essa é uma área, em minha opinião, em que a TV frequentemente supera o cinema. Os americanos têm excelente domínio da arte. True Blood tem a melhor abertura de que consigo me recordar. Combina com muita habilidade imagens fortes e interessantes com uma boa trilha. Não faz muito tempo, créditos iniciais foi tema de capa do caderno de TV do Estadão. Parece que, no Brasil, elas vêm encolhendo devido à guerra pela audiência. Temos muita coisa ruim por aqui, mas algumas nos salvam, como as muitas da Grande Família, Normais, Deus nos Acuda...

Há alguns anos Ali G entrevistou Donald Trump e este lhe disse que a música era a coisa mais popular do mundo. Até então nunca havia pensado a respeito, mas estou, em absoluto, de acordo.

Assim, a trilha sonora, é para mim, o mais importante para introduzir uma obra. Sem uma melodia poderosa o suficiente, é muito difícil despertar e prender a atenção dos espectadores. Ok, Lost não tem uma canção tema, mas o suspense da peça musical funciona bem. Algumas canções servem apenas para aberturas, como as de Smallville, Damages ou O.C..

Opening credits são como a ideia que fazemos de nós mesmos e que nos esforçamos, em escalas diferentes, para que seja ‘comprada’. Mas, assim como nos negócios, não devemos julgar um livro pela capa. Muitas vezes nos decepcionamos, outras nos surpreendemos (para o bem ou para o mal) e algumas what you see is what you get, simples assim. Felizmente somos mais complexos que a maioria das obras lançadas. Sim, a vida supera em muito a ficção. Alguns acontecimentos não poderiam sair das mentes mais criativas nem com o auxílio de aditivos.

Então o que fazer? Seguir até o final de um filme ou livro não importe quão ruim? Ou melhor, deixar a estória começar mesmo quando os créditos iniciais não prometem uma boa experiência ou adiantam a anedota? O protagonista tem um rostinho irresistível(.)? É muito charmoso? Timing, de novo.

Aí vai o link para a abertura de True Blood:

http://www.youtube.com/watch?v=vxINMuOgAu8

domingo, 5 de julho de 2009

Gêmeos do Mal

Uma amiga me disse que gostaria de ter uma gêmea do mal. Sua versão evil seria sacada toda vez que precisasse resolver alguma anedota ou situação desagradável, como problemas com o chefe, rolos autistas e/ou esquizofrênicos, pessoas folgadas, família...

Também quero um gêmeo do mal! Eu e a torcida do Corinthians! Oops, os fãs do Michael Jackson e Madonna combinados. My very own mini-me!

Poderíamos culpá-los por todos nossos erros e, assim, viveríamos em um mundo muito mais hipócrita!

Confesso que teria medo de gêmeos do mal de alguns de meus amigos. Outros seriam risíveis, e o máximo de maldade que cometeriam seriam desenhos em hidrocor de seus desafetos tropeçando.

A temática ‘gêmeos do mal’ daria um excelente dramalhão, até consigo imaginar a chamada da Televisa para ‘La Gemela Diabólica’. Agora é esperar que minha amiga acate a sugestão e comece a escrever a arquitrama rocambolesca!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Autocompletar

Adoro a ferramenta ‘autocompletar’. Acho ótimo que esteja cada vez mais disseminada: Google, youtube, amazon...

Recentemente conheci alguém que tem o nome autocompletável no Google. Fiquei em êxtase! Testei o nome de várias pessoas, mas sem sucesso. Nem mesmo as peruas! Cheguei à conclusão de que de que ele é único, neste sentido.

Por vezes gostaria que algum tipo de inteligência artificial traduzisse para o mundo real o autocompletar. Ter alguns de nossos desejos adivinhados antes mesmo que pudéssemos expressá-los seria excitante. Por outro lado, não seria muito bom para a já capenga comunicação humana.

Mas quais os critérios para o autocompletar? Buscas populares? Nome muito presente na web? Livros do Dalai Lama? Não sei. Pesquisarei. Só sei que somos todos egoístas, uns mais, outros menos, mas por mais que nos esforcemos, jamais seremos autocompletáveis por muito tempo.